“É como se eu voltasse a enxergar”. É assim que o deficiente visual, Gilson Mauro, gerente da Biblioteca Braille de Manaus, se sente quando assiste a uma apresentação do Festival Amazonas de Ópera por meio da audiodescrição. O evento está na sua décima quinta edição e desde 2009 o serviço de audiodescrição é oferecido com o apoio da Vivo. Transformar o visual em verbal é o objetivo deste recurso que une inclusão social e cultura e amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual por meio de informação sonora. A ferramenta utilizada para a audiodescrição é um aparelho radiofônico similar ao de tradução simultânea. Através dele, os deficientes visuais ouvem descrições de cenário, figurino, movimentação em cena e ainda, curiosidades sobre o Festival. O Teatro Amazonas foi o primeiro teatro púbico da América Latina a exibir um espetáculo de ópera com audiodescrição e há dois anos oferece o serviço nas óperas e demais espetáculos ao longo de sua programação anual.
Deficiente visual há mais de 30 anos, Gilson Mauro assistiu pela primeira vez, em 2006, a uma ópera do festival. Três anos depois, com a implantação do serviço de audiodescrição, ele afirma que a experiência mudou. “É como se eu saísse da escuridão. A audiodescriação facilita com que o deficiente visual crie na mente a imagem do palco. Hoje eu não conseguiria assistir a um espetáculo sem audiodescrião”. Para Gilson, a audiodescrição é o principal recurso de acessibilidade que existe hoje. “Ela permite que o deficiente visual se aproxime mais da realidade e do que está acontecendo no ambiente”, conclui.
Além dos aparelhos que permitem a audiodescrição, a Vivo também ofereceu, em 2009, treinamento específico aos voluntários do projeto com a doutora em Línguística Aplicada e Estudos da Linguagem, professora Lívia Motta, capacitando-os para a utilização do recurso. No próximo mês, a professora paulista, autora do livro “Audiodescrição–Transformando Imagens em Palavras”, volta a Manaus para atualizar os voluntários quanto aos métodos do projeto. No curso, os audiodescritores aprendem a explorar a riqueza de cenários, imagens e fotos, a fazer a caracterização física de personagens, descrever expressões faciais e corporais, figurinos, entrada e saída de personagens de cena e a fornecer informações sobre a ação para ampliar o entendimento das pessoas com deficiência visual. O curso é oferecido inicialmente de forma Semi-Presencial para voluntários da Vivo e da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas. Em seguida, os voluntários passam por um treinamento presencial, onde também são orientados para auxiliar os deficientes visuais desde a chegada ao teatro, na utilização dos aparelhos da audiodescrição, até o fim do espetáculo. Nesta edição, cerca de 10 voluntários devem contribuir com o projeto.
Nesta edição, quatro óperas serão apresentadas com o serviço de audiodescrição: 30 de Abril, às 20h Ópera de Giacomo Puccini (1858 - 1924), “Suor Angélica”; 03 de Maio, às 20h, Ópera de Francis Poulenc (1899 - 1963), “Dialogues des Carmelites”; 22 de Maio, às 19h, Ópera de Richard Wagner (1813 – 1883), “Tristan uns Isolde”; e dia 29 de Maio, às 19h, espetáculo “Cenas Líricas - 15 anos do FAO. Todas as sessões de audiodescrição serão gratuitas aos deficientes visuais. Ao todo, mais de 100 lugares serão destinados a este serviço de inclusão social. Para mais informações, 3622-1880 ou 3622-2420.




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